Pontos-Chave:
• O Sarampo é uma infecção viral altamente contagiosa, sendo uma das principais causas
de mortes evitáveis por vacinação em todo o mundo, afectando principalmente crianças
pequenas e indivíduos não vacinados.
• Embora a vacinação tenha reduzido os casos, surtos ainda ocorrem em áreas com baixa
cobertura vacinal, em algumas regiões da África e da Ásia.
• Em crianças com deficiência de vitamina A e desnutrição, o sarampo pode evoluir para uma
doença grave, aumentando o risco de infeções secundárias, como pneumonia.
• As complicações do sarampo incluem pneumonia, encefalite e cegueira, tornando o
sarampo uma preocupação de saúde pública, especialmente em populações desnutridas
e imunocomprometidas.
• A maioria das mortes por sarampo ocorre em crianças menores de 5 anos e adultos acima
de 20, devido a complicações.
• Em Moçambique, a vigilância do sarampo é baseada na identificação de cada caso, com
confirmação laboratorial e diagnóstico diferencial para rubéola, devido à semelhança dos
sintomas entre as duas doenças.
Definição de caso:
• Caso suspeito: Qualquer pessoa com febre (≥38°C) e erupção maculopapular generalizada (não vesicular) acompanhada ou não de tosse, corrimento nasal (coriza) ou conjuntivite (olhos vermelhos).
• Caso confirmado: Um caso suspeito com confirmação laboratorial ou ligação
epidemiológica a um caso confirmado de sarampo durante um surto.
Número de casos necessários para desencadear a notificação e a investigação:
• Limiar: Um único caso confirmado de sarampo (por teste laboratorial ou ligação
epidemiológica) deve ser notificado.
• Definição de surto: ou mais casos suspeitos no mesmo distrito ou unidade sanitária no
mesmo mês; OU 3 ou mais casos com resultados positivos de teste IgM para sarampo do
mesmo distrito ou unidade sanitária no mesmo mês.
Agente infeccioso:
• Agente etiológico: Vírus do sarampo, membro do gênero Morbillivirus da família
Paramyxoviridae.
Variantes/Estirpes: Existem diferentes genótipos do vírus do sarampo, mas não existem
diferenças significativas na apresentação clínica.
Fonte e Período de infecção:
• Reservatório: Os seres humanos são o único reservatório conhecido.
• Modo de transmissão:
o Primariamente através de gotículas respiratórias ao tossir ou espirrar.
o O vírus também pode sobreviver em superfícies e no ar por até 2 horas, permitindo a
transmissão indirecta (menos comum).
• Período de incubação: Geralmente de 7 a 18 dias, com média de 10 a 12 dias para início
dos sintomas após a exposição.
• Período de infecciosidade: Desde 4 dias antes do aparecimento da erupção cutânea, e
normalmente até 4 dias após o aparecimento da erupção cutânea.
Grupos de risco:
• Indivíduos não vacinados, particularmente mulheres grávidas.
• Contacto próximo com indivíduos infectados em escolas, ambientes de saúde ou
ambientes lotados.
• Indivíduos imunocomprometidos estão em maior risco de doença grave e complicações.
• Viajantes ou pessoas que vivem em áreas endémicas.
Protocolo de investigação:
• Acções imediatas:
o Isolamento: Isolar os casos suspeitos no domicílio. Proporcionar cuidados de
suporte e tratar possíveis complicações.
o Rastreamento de contactos: Identificar e monitorar os contactos de casos
confirmados, observando o desenvolvimento de sintomas por um período de 21 dias
após a última exposição.
o Busca activa de casos: Realizar actividades de busca activa conforme as
orientações de vigilância e protocolos locais, priorizando unidades sanitárias em
áreas com alta densidade populacional ou histórico recente de surtos.
• Colheita de dados: Colher dados demográficos detalhados dos pacientes, sintomas
clínicos, estado de vacinação, histórico de viagens e histórico de exposição usando o
Formulário Nacional de Investigação de Casos.
• Avaliação ambiental: Investigar a comunidade onde o caso foi identificado para avaliar os
identificar factores de risco que possam facilitar a propagação, como baixa cobertura
vacinal e superlotação.
• Acções de seguimento:
o Monitorar os contactos quanto a sinais durante 21 dias após a exposição.
o Envolvimento com a comunidade: Sensibilizar a comunidade sobre os sintomas, os
modos de transmissão e a importância da vacinação. Colaborar com líderes
comunitários para incentivar a vacinação e notificação de casos.
Colheita e manuseio de amostras para o diagnóstico laboratorial
O Sarampo pode em alguns casos ocorrer como um evento adverso da vacinação com um vírus vivo
atenuado. Se o caso recebeu uma vacina nas quatro semanas anteriores ao início dos sintomas, o
teste serológico não é válido para a confirmação da infecção aguda.
• Tipo de amostras:
o Amostras de soro para teste de anticorpos IgM
o Swab orofaríngeo ou nasofaringeo (para PCR e genotipagem)
• Procedimentos de colheita de amostras de sangue: Para todos os casos suspeitos é
necessária confirmação laboratorial.
o As amostras de soro devem ser colhidas entre o 3º e o 28º dia após o aparecimento
da erupção cutânea para detecção de anticorpos IgM.
o Colher 5-10 ml de sangue em tubo sem anticoagulante para obtenção de soro. Para
menores de 5 anos, colher 1 a 5 ml de sangue venoso utilizando o tubo adequado.
o Centrifugar o tubo a 1.500-2.000 g por 10 minutos para separar o soro.
o Transferir o soro para um tubo estéril rotulado com o nome e data de colheita
o Armazenar as amostras a 4°C – 8°C para evitar crescimento bacteriano. As amostras
devem ser enviadas ao Laboratório Nacional de Referência em até 3 dias após a
colheita.
• Procedimento da colheita de amostra de zaragatoa orofaríngea: amostras de zaragatoas
orofaringeas devem ser colhidas até 05 dias após início do exantema/ erupção cutânea.
o Colocar o paciente sentado e com a cabeça ligeiramente inclinada para trás;
o Solicitar o paciente a abrir a boca e dizer “ahhh”. Se necessário, usar uma espátula
para baixar a língua.
o Introduzir a zaragatoa flexivel através da boca, até à região das amígdalas, entre a
passagem da nasofaringe e garganta, evitando tocar a lingua;
o Com uma leve pressão, friccionar a área ao redor das amígdalas
o Retirar a zaragatoa, introduzir no frasco com meio de transporte viral e fechar bem o
frasco.
§ Procedimento da colheita de amostra de zaragatoa nasofaríngea: amostras de zaragatoas
nasofaringea devem ser colhidas até 05 dias após início do exantema/ erupção cutânea.
o Colocar o paciente sentado e com a cabeça ligeiramente inclinada para trás;
o Introduzir a zaragatoa flexível através da narina, até à região da nasofaringe;
o Efectuar movimentos circulares com a zaragatoa para a absorção da secreção;
o Retirar a zaragatoa, introduzir no frasco com meio de transporte viral e fechar bem o
frasco.
o Inserir o swab em um tubo com meio de transporte viral (MTV) estéril.
• Armazenamento e transporte
o As amostras de soro/plasma podem ser conservadas de 2 a 8°C até o máximo de 3
dias. Após este tempo, devem conservadas em temperatura igual ou inferior -20°C
(≤-20°C).
o As amostras de zaragatoas nasofaringeas e orofaringeas podem ser conservadas de
2 a 8°C até o máximo de 2 dias. Podem ser conservadas em temperatura igual ou
inferior -20°C (≤-20°C) até 5 dias; após este período devem ser conservadas a ≤
20°C.
• Biossegurança: Siga as precauções de Nível de Biossegurança 2 (BSL-2) ao manusear
amostras casos suspeitos.
• Laboratório de Referência: Laboratório de Serologia, INS (Marracuene)


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