Pontos-Chave:
• Mpox é uma zoonose endémica em algumas regiões da África Central e Ocidental, mas espalhou-se globalmente devido ao aumento de viagens internacionais e à transmissão entre humanos no ano 2022.
• Em 2022, a OMS classificou Mpox como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) devido à rápida disseminação global para fora das regiões endémicas, com surtos relatados em países sem histórico prévio de transmissão. A situação levantou preocupações sobre a transmissão sustentada entre seres humanos e o potencial de uma expansão internacional continuada.
• As condições de superlotação e higiene inadequada em áreas urbanas podem facilitar a disseminação de mpox, elevando o risco de surtos, especialmente em regiões tropicais e em locais com alta densidade populacional.
• Existem dois clados principais de Mpox: o clado da África Ocidental, responsável pelo surto global em 2022, associado a uma forma menos grave da doença, e o clado da África Central (Bacia do Congo), que apresenta uma taxa de mortalidade mais elevada e sintomas mais severos.

Definição de caso:

  • Caso suspeito: Uma pessoa que apresenta uma erupção cutânea aguda inexplicável ou lesões cutâneas, e um ou mais dos seguintes sintomas: febre (≥38°C), dor de cabeça intensa, linfadenopatia (nódulos linfáticos inchados), dor nas costas, mialgia (dores musculares) ou astenia (fraqueza rofunda). A condição é especialmente relevante se houver histórico de viagem para uma área com casos conhecidos de Mpox (África Central e Ocidental) ou contacto directo com uma pessoa ou animal infectado.
  • Caso Provável: Caso suspeito em que existe uma ligação epidemiológica nos 21 dias anteriores ao início dos sintomas para: Contacto com um caso confirmado ou provável de mpox; Viagem para uma área endémica; Exposição a animais selvagens vivos ou mortos, incluindo roedores ou primatas não humanos, numa região endémica.
  • Caso confirmado: Pessoa que apresenta confirmação laboratorial de infecção pelo vírus mpox, por meio da detecção de DNA viral específico em estes de PCR. Durante surtos, ligações epidemiológicas a um caso confirmado de Mpox também são consideradas.

Número de casos necessários para desencadear a notificação e a investigação:

  • Limiar: Um único caso confirmado em qualquer área requer notificação imediata e investigação, dado o potencial de disseminação e gravidade da infecção.
  • Definição de surto: Dois ou mais casos confirmados de Mpox que ocorrem dentro de um período de 21 dias em uma área geográfica definida.

Agente infecioso:

  • Agente etiológico: Vírus Mpox (género Orthopoxvirus).
  • Variantes/Estirpes: Existem duas variantes conhecidas: o clado da África Central (Bacia do Congo) e o clado da África Ocidental. O clado da África Ocidental (Clade 2b) está associado ao surto global e é geralmente menos grave do que o clado centro-africano.

Fonte e período de infecção:

  • Reservatório: O reservatório natural de Mpox permanece desconhecido, mas suspeita-se que pequenos mamíferos, especialmente roedores, possam ser portadores naturais do vírus. Primatas não humanos também podem ser hospedeiros.
  • Modo de transmissão:
    • Contacto directo com sangue, fluidos corporais ou lesões cutâneas ou mucosas de animais ou humanos infectados.
    • Contacto indirecto com materiais contaminados por lesões, como roupas de cama ou vestuário.
    • Transmissão respiratória por gotículas respiratórias em contacto próximo e prolongado, particularmente em espaços confinados.
  • Período de incubação: Geralmente entre 6 a 13 dias, podendo variar de 5 a 21 dias.
  • Período de infecciosidade: Uma pessoa é considerada infecciosa desde o início dos sintomas até que até que todas as crostas das lesões tenham caído e uma nova camada de pele tenha se formado.

Grupos de risco:

  • Pessoas em contacto próximo com indivíduos infectados: Indivíduos em locais superlotados, como escolas e unidades de saúde, em contacto directo com pessoas infectadas, têm maior risco de exposição ao vírus.
  • Viajantes para áreas endémicas: Pessoas que viajam para regiões onde a Mpox não está bem controlada, especialmente em áreas endémicas na África Central e Ocidental, enfrentam maior risco de exposição.

Protocolo de investigação:

  • Colheita de dados: Colher dados demográficos, sintomas clínicos (febre, lesões cutâneas,
    linfadenopatia), histórico de viagens para áreas endémicas ou com surtos activos e possível
    exposição a animais silvestres, e condições de saúde pré-existentes.
  • Orientações socio-antropológicas: Investigar práticas culturais relacionadas com o
    manuseio, caça e preparo de alimentos que possam contribuir para a disseminação do
    mpox.
  • Acções de Seguimento:
    • Monitorar contactos e indivíduos expostos para sinais de Mpox durante pelo menos
    21 dias após a última exposição.

Colheita e manuseio de amostras para o diagnóstico laboratorial
• Tipo de amostras:
o Amostras de lesões cutâneas: são preferenciais, incluindo esfregaços de exsudato, pústulas e crostas.
o Amostras de sangue (soro): são indicadas para pacientes com sintomas sistêmicos significativos ou em estudos específicos.
• Procedimentos de colheita de amostras: Colher amostras de casos suspeitos o mais cedo possível após o início dos sintomas, dando prioridade a amostras de lesões cutâneas.
• Lesões cutâneas:
• Utilizar técnica asséptica para realizar o raspado das lesões vesiculares, pustulares ou ulcerativas, preferencialmente nas bordas das lesões para maximizar a presença de material viral.
• Colocar o raspado em um tubo estéril e seco para análise por PCR.
• Rotular o tubo com os dados do paciente, tipo de amostra (raspado de lesão) e data da colheita.
• Soro (para Serologia ou PCR complementar):
• Colher 5-10 ml de sangue em tubo sem anticoagulante para obtenção de soro.
• Após a colheita, deixar o sangue coagular por 30 minutos à temperatura ambiente.
• Centrifugar o tubo a 1.500-2.000 g por 10 minutos para separar o soro.

• Armazenamento e Transporte:
• As amostras devem ser refrigeradas entre 2°C e 8°C para transporte em entre 48-72 horas.
• o Para períodos de armazenamento mais longos, conservar as amostras a -70ºC para preservar a viabilidade viral.
• Transportar as amostras rapidamente em recipientes apropriados para o laboratório de referência, conforme os protocolos de segurança para garantir a integridade da amostra.

  • Biossegurança: Seguir os protocolos de Nível de Biossegurança 2 (BSL-2) para o manuseio das amostras. Os protocolos de Nível de Biossegurança 3 (BSL-3) são indicados para procedimentos com risco elevado, como o cultivo do vírus ou análise de amostras com alta carga viral.
  • Laboratório de Referência: Laboratório de Referência de Virologia, Instituto Nacional de Saúde (Marracuene)